Você já ouviu alguém dizer que vai “subir para cima” ou “entrar para dentro”? Provavelmente sim, e talvez tenha até usado essas expressões sem perceber. Essas construções são exemplos de pleonasmo, uma figura de linguagem que aparece tanto na literatura quanto na fala cotidiana. O problema é que nem todo pleonasmo funciona da mesma forma: alguns enriquecem o texto, enquanto outros apenas o tornam redundante.
Entender a diferença entre o pleonasmo literário e o pleonasmo vicioso é fundamental para quem deseja escrever com clareza e precisão. Seja na redação de um trabalho acadêmico, em uma dissertação ou até em um e-mail profissional, saber quando a repetição agrega valor e quando ela prejudica a comunicação faz toda a diferença. Neste artigo, você vai aprender a identificar os tipos de pleonasmo, ver exemplos práticos e descobrir como evitar redundâncias desnecessárias em seus textos.
O que é pleonasmo?
Pleonasmo é uma figura de linguagem caracterizada pela repetição de uma ideia já expressa, seja por palavras sinônimas ou por termos que reforçam o mesmo conceito. A palavra vem do grego pleonasmós, que significa “excesso” ou “abundância”.
Na prática, o pleonasmo ocorre quando usamos mais palavras do que o necessário para transmitir uma informação. Por exemplo, ao dizer “hemorragia de sangue”, estamos sendo redundantes, já que hemorragia, por definição, já significa perda de sangue.
No entanto, nem toda repetição é um erro. Em contextos literários, o pleonasmo pode ser usado intencionalmente para criar ênfase, ritmo ou efeito expressivo. Por isso, é essencial compreender os diferentes tipos dessa figura, tema que também abordamos em nosso guia completo sobre figuras de linguagem.
Tipos de pleonasmo: literário versus vicioso
A distinção mais importante quando falamos de pleonasmo está entre suas duas formas principais: o pleonasmo literário (ou expressivo) e o pleonasmo vicioso. Veja as características de cada um:
Pleonasmo literário
O pleonasmo literário é uma escolha estilística consciente. O autor repete uma ideia de propósito para intensificar o sentido, criar ritmo ou provocar um efeito emocional no leitor. É comum em poesia, música e textos narrativos.
Exemplos de pleonasmo literário:
- “Vi com meus próprios olhos” — enfatiza a certeza da testemunha.
- “Morrer de morte morrida” — expressão popular que reforça a ideia de morte natural.
- “Sonhar um sonho impossível” — verso que intensifica o caráter utópico do sonho.
Pleonasmo vicioso
O pleonasmo vicioso, por outro lado, é considerado um vício de linguagem. Ele não acrescenta nenhum valor expressivo ao texto e resulta apenas em redundância desnecessária. Deve ser evitado, especialmente em textos formais e acadêmicos.
Exemplos de pleonasmo vicioso:
- “Subir para cima”
- “Descer para baixo”
- “Elo de ligação”
- “Consenso geral”
- “Acabamento final”
Tabela comparativa: pleonasmo literário e vicioso
| Característica | Pleonasmo literário | Pleonasmo vicioso |
|---|---|---|
| Intencionalidade | Uso consciente e proposital | Uso involuntário ou descuidado |
| Função | Criar ênfase, ritmo ou efeito estético | Nenhuma função expressiva |
| Contexto adequado | Literatura, poesia, música, oratória | Deve ser evitado em qualquer contexto |
| Exemplo | “Chorar lágrimas amargas” | “Surpresa inesperada” |
| Avaliação | Recurso estilístico válido | Considerado erro ou vício de linguagem |
Quando evitar redundâncias no texto
Em textos acadêmicos, profissionais e técnicos, a clareza e a objetividade são prioridades. Nesses contextos, o pleonasmo vicioso compromete a qualidade da escrita e pode passar uma impressão de descuido ou falta de domínio da língua.
Veja algumas situações em que você deve evitar redundâncias:
- Trabalhos acadêmicos: dissertações, teses e artigos científicos exigem precisão. Expressões como “há cinco anos atrás” ou “anexar junto” devem ser eliminadas.
- Documentos profissionais: relatórios, propostas e e-mails corporativos pedem linguagem direta.
- Redações de vestibular e concursos: avaliadores costumam penalizar vícios de linguagem.
Para garantir que seu texto esteja livre de redundâncias e outros problemas de coesão e coerência, uma revisão cuidadosa é indispensável. Ferramentas como o FastFormat podem ajudar você a formatar e organizar seus trabalhos acadêmicos de forma profissional, permitindo que você foque na qualidade do conteúdo.
Exemplos práticos de pleonasmos viciosos e suas correções
Identificar pleonasmos viciosos nem sempre é fácil, especialmente quando eles estão enraizados na linguagem cotidiana. Confira uma lista de expressões redundantes comuns e suas versões corrigidas:
| Expressão redundante | Forma correta |
|---|---|
| Subir para cima | Subir |
| Descer para baixo | Descer |
| Entrar para dentro | Entrar |
| Sair para fora | Sair |
| Há dez anos atrás | Há dez anos / Dez anos atrás |
| Elo de ligação | Elo |
| Protagonista principal | Protagonista |
| Monopólio exclusivo | Monopólio |
| Certeza absoluta | Certeza |
| Criar novo | Criar |
Ao revisar seus textos, preste atenção especial a essas construções. Uma leitura em voz alta pode ajudar a identificar repetições que passam despercebidas na leitura silenciosa.
Perguntas frequentes
Pleonasmo é sempre um erro?
Não. O pleonasmo literário é um recurso estilístico legítimo, usado por escritores e poetas para criar ênfase ou efeito expressivo. O que deve ser evitado é o pleonasmo vicioso, que não acrescenta significado ao texto e representa apenas uma redundância desnecessária.
Como identificar um pleonasmo no meu texto?
Analise cada expressão e pergunte-se: “Estou repetindo uma ideia que já está implícita em outra palavra?” Se a resposta for sim e essa repetição não tiver função expressiva intencional, você provavelmente está diante de um pleonasmo vicioso. Ferramentas de revisão e uma leitura atenta são suas melhores aliadas.
Posso usar pleonasmo em redações de vestibular?
Depende. O pleonasmo literário, quando usado com propósito claro e em contexto adequado, pode demonstrar domínio da língua. Porém, o pleonasmo vicioso será considerado erro e pode prejudicar sua nota. Na dúvida, opte pela forma mais concisa.
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