Você coletou os dados da sua pesquisa, mas agora precisa organizá-los de forma que façam sentido. Olhar para dezenas ou centenas de números soltos não revela padrões — apenas confusão. É nesse momento que a tabela de frequência se torna sua principal aliada para transformar dados brutos em informação útil.
Seja para um trabalho de estatística, TCC ou relatório de pesquisa, dominar a construção de tabelas de frequência é uma habilidade essencial. Neste guia, você vai aprender não apenas o conceito, mas como montar sua própria tabela do zero, com um exemplo numérico completo que mostra cada cálculo.
O que é tabela de frequência
A tabela de frequência é uma ferramenta estatística que organiza dados coletados, mostrando quantas vezes cada valor ou categoria aparece em um conjunto. Em vez de listar todos os dados individualmente, ela agrupa as informações e apresenta a contagem de ocorrências de forma sistemática.
Essa organização permite identificar rapidamente quais valores são mais comuns, quais são raros e como os dados se distribuem. Por isso, a distribuição de frequência é o primeiro passo em qualquer análise estatística descritiva, servindo de base para cálculos de média, mediana, moda e construção de gráficos.
No contexto do conhecimento científico, a tabela de frequência garante que os dados sejam apresentados de maneira objetiva e verificável, permitindo que outros pesquisadores compreendam e repliquem a análise.
Elementos: frequência absoluta, relativa e acumulada
Uma tabela de frequência completa contém três tipos de frequência, cada uma com uma função específica:
Frequência absoluta (fi) é a contagem simples de quantas vezes cada valor aparece nos dados. Se você perguntou a 30 pessoas quantos livros leram no mês e 8 responderam “2 livros”, a frequência absoluta do valor 2 é igual a 8.
Frequência relativa (fr) expressa a proporção de cada valor em relação ao total. Calcula-se dividindo a frequência absoluta pelo número total de observações. No exemplo anterior: 8 ÷ 30 = 0,267 ou 26,7%. Isso facilita comparações entre grupos de tamanhos diferentes.
Frequência acumulada (Fa e Fr) soma as frequências dos valores anteriores até o valor atual. A frequência acumulada absoluta mostra quantas observações têm valor igual ou menor que determinado ponto. A frequência acumulada relativa faz o mesmo em termos percentuais.
A tabela de frequência absoluta e relativa combinadas oferece uma visão completa: você sabe tanto os números brutos quanto as proporções, essencial para interpretar corretamente os resultados.
Como montar passo a passo (com exemplo numérico completo)
Vamos construir uma tabela de frequência usando dados reais. Suponha que você pesquisou a idade de 20 participantes de um curso e obteve os seguintes valores:
18, 19, 18, 20, 21, 19, 18, 22, 20, 19, 21, 18, 19, 20, 22, 19, 18, 21, 20, 19
Passo 1: Identifique os valores distintos
Liste todos os valores diferentes que aparecem: 18, 19, 20, 21, 22.
Passo 2: Conte a frequência absoluta de cada valor
- Idade 18: aparece 5 vezes → fi = 5
- Idade 19: aparece 6 vezes → fi = 6
- Idade 20: aparece 4 vezes → fi = 4
- Idade 21: aparece 3 vezes → fi = 3
- Idade 22: aparece 2 vezes → fi = 2
Soma total: 5 + 6 + 4 + 3 + 2 = 20 (confere com o número de participantes)
Passo 3: Calcule a frequência relativa
Divida cada frequência absoluta pelo total (20):
- Idade 18: 5 ÷ 20 = 0,25 ou 25%
- Idade 19: 6 ÷ 20 = 0,30 ou 30%
- Idade 20: 4 ÷ 20 = 0,20 ou 20%
- Idade 21: 3 ÷ 20 = 0,15 ou 15%
- Idade 22: 2 ÷ 20 = 0,10 ou 10%
Passo 4: Calcule a frequência acumulada
Some progressivamente as frequências:
- Idade 18: Fa = 5 | Fr acumulada = 25%
- Idade 19: Fa = 5 + 6 = 11 | Fr acumulada = 55%
- Idade 20: Fa = 11 + 4 = 15 | Fr acumulada = 75%
- Idade 21: Fa = 15 + 3 = 18 | Fr acumulada = 90%
- Idade 22: Fa = 18 + 2 = 20 | Fr acumulada = 100%
Passo 5: Monte a tabela final
| Idade (anos) | fi | fr (%) | Fa | Fr acumulada (%) |
|---|---|---|---|---|
| 18 | 5 | 25% | 5 | 25% |
| 19 | 6 | 30% | 11 | 55% |
| 20 | 4 | 20% | 15 | 75% |
| 21 | 3 | 15% | 18 | 90% |
| 22 | 2 | 10% | 20 | 100% |
| Total | 20 | 100% | — | — |
Com essa tabela, você identifica rapidamente que 19 anos é a idade mais frequente (moda) e que 75% dos participantes têm 20 anos ou menos.
Para organizar tabelas como essa no seu TCC, junto com toda a formatação ABNT, o editor do FastFormat permite inserir e formatar tabelas de resultados de forma padronizada.
Dados agrupados vs não agrupados
O exemplo anterior utilizou dados não agrupados, onde cada valor aparece individualmente na tabela. Essa abordagem funciona bem quando há poucos valores distintos.
Quando os dados têm muita variação (como salários, alturas ou notas com decimais), usar valores individuais geraria uma tabela enorme e pouco informativa. Nesses casos, utilizamos dados agrupados em classes ou intervalos.
Por exemplo, em vez de listar cada salário individualmente, você cria faixas:
| Faixa salarial (R$) | fi | fr (%) |
|---|---|---|
| 1.000 a 2.000 | 12 | 24% |
| 2.001 a 3.000 | 18 | 36% |
| 3.001 a 4.000 | 15 | 30% |
| 4.001 a 5.000 | 5 | 10% |
| Total | 50 | 100% |
Para definir o número de classes, uma regra prática é usar a fórmula de Sturges: k = 1 + 3,322 × log(n), onde n é o número de observações. A amplitude de cada classe é calculada dividindo a amplitude total (maior valor menos menor valor) pelo número de classes.
Em pesquisas como um estudo de coorte, onde você acompanha grupos ao longo do tempo, o agrupamento em classes facilita a comparação entre diferentes períodos de coleta.
Como fazer a tabela de frequência no Excel
O Excel oferece recursos que automatizam a criação de tabelas de frequência, poupando tempo em cálculos manuais.
Para dados não agrupados:
- Digite seus dados em uma coluna (por exemplo, A1:A20)
- Em outra coluna, liste os valores únicos que deseja contar
- Na célula ao lado do primeiro valor único, use a função =CONT.SE(A:A;B1), onde A:A é o intervalo dos dados e B1 é o valor a ser contado
- Arraste a fórmula para os demais valores
- Para frequência relativa, divida cada contagem pelo total: =C1/SOMA(C:C)
Para dados agrupados (usando a função FREQUÊNCIA):
- Crie uma coluna com os limites superiores de cada classe
- Selecione as células onde as frequências aparecerão
- Digite =FREQUÊNCIA(intervalo_dados;intervalo_classes)
- Pressione Ctrl+Shift+Enter (é uma fórmula matricial)
Usando Tabela Dinâmica (método mais rápido):
- Selecione seus dados e vá em Inserir → Tabela Dinâmica
- Arraste a variável para “Linhas” e novamente para “Valores”
- Em Valores, configure para “Contagem”
- Para frequência relativa, clique em “Mostrar Valores como” → “% do Total Geral”
A tabela de frequência no Excel gerada pode ser copiada diretamente para seu trabalho acadêmico, mas lembre-se de formatar segundo as normas ABNT: título acima da tabela, fonte abaixo, e bordas apenas nas linhas horizontais do cabeçalho e rodapé.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre frequência absoluta e relativa?
A frequência absoluta é o número bruto de vezes que um valor aparece (exemplo: 8 pessoas). A frequência relativa é a proporção desse valor em relação ao total, expressa em decimal ou porcentagem (exemplo: 0,40 ou 40%). A absoluta mostra quantidade; a relativa mostra representatividade.
Como calcular a frequência acumulada?
Some a frequência do valor atual com todas as frequências dos valores anteriores. Se as frequências absolutas forem 5, 6, 4, a acumulada será: 5, 11 (5+6), 15 (11+4). O último valor da frequência acumulada sempre iguala o total de observações (para absoluta) ou 100% (para relativa).
Quando usar dados agrupados em classes?
Use agrupamento quando seus dados têm muitos valores distintos (geralmente mais de 10-15) ou quando são contínuos (como peso, altura, tempo). Se você tem apenas 5 categorias de resposta em um questionário, dados não agrupados são mais apropriados e informativos.
A tabela de frequência serve para variáveis qualitativas?
Sim. Para variáveis qualitativas nominais (como cor dos olhos ou estado civil), a tabela de frequência mostra quantas pessoas pertencem a cada categoria. A única diferença é que não faz sentido calcular frequência acumulada, já que as categorias não têm ordem natural.
Agora que você domina a construção de tabelas de frequência, o próximo passo é apresentar esses dados de forma profissional no seu trabalho. O editor do FastFormat formata automaticamente suas tabelas e todo o documento nas normas ABNT, permitindo que você foque na análise enquanto a formatação acontece sozinha.
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