As sete etapas da Pesquisa Científica

Para falar sobre as etapas da pesquisa científica precisamos entender como elas podem ser articuladas. Desta forma, vamos entender os eixos que as une.

  • Ruptura. Nós temos uma “bagagem” teórica que algumas vezes podem ser consideradas armadilhas. Isso porque uma grande parde de nossas ideias se inspira em aparências ou partidarismo. Algumas vezes elas chegam a ser ilusórias e preconceituosas. Nesse contexto, é muito perigoso construir uma pesquisa científica. Temos que romper com as ideias preconcebidas e com as falsas evidências. Só assim podemos construir uma pesquisa com base sólida.
  • Construção. A teoria é um ponto fundamental para a construção de propostas e planos de pesquisa científica sólidos. A definição dos passos a serem executados e previsão dos resultados esperados também dependem da teoria. Sem essa construção não teremos propostas válidas.
  • Constatação. Uma proposta de pesquisa é considerada científica quando pode ser avaliada por informações da realidade concreta. Essa constatação também pode ser chamada de experimentação.

Esses três eixos não são independentes. Eles estão interligados e podem acontecer mais de uma vez no processo de pesquisa científica. A construção não pode acontecer sem a ruptura, nem a constatação. Pois a qualidade desta está associada a qualidade da construção da pesquisa científica.

As 7 etapas da Pesquisa Científica

A figura abaixo resume todas as etapas, a direção do fluxo e retroalimentação das etapas.

Etapa 1: A questão inicial

O pesquisador formula uma questão que o ajude a conhecer e compreender melhor determinado fenômeno estudado. Essa questão inicial deve ser clara, realista e verdadeira. Também deve abordar o que já existe e fundamentar as descobertas e transformações de um novo estudo.

  • Validação. Após a formulação da questão é interessante apresentar para um grupo de pessoas. Assim é possível observar se todos entenderam da maneira correta e sem ambiguidades.
  • Dica. A questão inicial é muito importante para o sucesso da pesquisa científica. Ela vai ajudar o pesquisador a progredir nas leituras e coletas de dados. Normalmente o pesquisador trabalhe e retrabalhe sua questão inicial com o objetivo de alcançar a ruptura das ideias preconcebidas. Um ponto chave nesse momento são as hipóteses do trabalho, que podem ser consideradas como possíveis respostas dessa questão.

Etapa 2: A exploração

A exploração do tema pode ser feita por meio de duas maneiras a leitura e a coleta de dados exploratória

  • A leitura. Escola fontes seguras como conferências importantes na área, assim como revistas relevantes. Procure textos que apresentem além dos dados uma análise e interpretação dos resultados. Escolha documentos que seguiram algum método científico na sua construção. Consulte se orientador, veja as referências desses artigos que você já conhece e que tratam do assunto. Veja quais na nossa postagem: Como escolher o método de pesquisa mais adequado para seu TCC?
    • DICA 1: fazer fichamentos é um exercício interessante que ajuda a mostrar como cada um dos artigos pesquisados responde sua questão de pesquisa. Como fazer um fichamento?
    • DICA 2: a medida que você ler os artigos, tenha em mente sua questão de pesquisa e objetivos. Verifique como cada um deles as responde. Faça comparação entre os artigos estudando, analisando os diferentes pontos de vista dos diversos autores.
  • A Coleta de informações exploratórias: pode ser feita por meio de entrevistas, observações e análise de documentos. São complementares a fase de leitura e mostram aspectos que a leitura e a experiência do pesquisador não puderam evidenciar.
  • Essas duas maneiras de coleta de dados, quando bem feitas, ajudam a identificar/construir o problema de pesquisa ou problemática.

Etapa 3: A problemática

A questão inicial coloca em questão um problema que pode ser considerada uma forma de interrogar o objeto de estudo. A problemática pode ser abordada em dois momentos:

  • Um levantamento das problemáticas possíveis é realizada evidenciando suas características e as comparando.
  • Escolhemos e explicitamos nossa problemática com conhecimento de causa.
  • Dicas: Quais as perspectivas/facetas do problema reveladas pelas leituras e coleta de dados exploratórias? Identifique-as e compare-as. Sua problemática já foi explorada? se sim, quais os problemas conceituais e metodológicos encontrados em pesquisas científicas anteriores? Quais os conceitos e ideias chave da sua problemática?

Etapa 4: A Construção do Modelo de Análise

Nessa etapa são criadas as hipóteses ou questões do estudo, que surgiram a partir da definição da problemática. Possíveis respostas também são elaboradas nessa etapa. As hipóteses podem ser construídas de duas formas:

  • Abordagem hipotético-indutiva. Acontece quando iniciamos uma pesquisa pela primeira vez, sem ter conhecimento sólido a respeito da temática. A hipótese é criada a partir da experiência e observação (empirismo).
  • Abordagem hipotético-dedutiva. É utilizada quando se tem um conjunto de ideias ou conhecimentos prévio que possam explicar o objeto de estudo.

Para mais detalhes sobre o que é hipótese e como formulá-las, veja os artigos O que é e como definir as Hipóteses do seu estudo? e Teorias, Hipóteses, Variáveis dependentes e independentes

Etapa 5: A Coleta de Dados

Essa etapa compreende a coleta de informações para que sejam confrontadas com o modelo de análise. Nessa etapa três perguntas devem ser respondidas:

  • (i) O que coletar? você deve coletar os dados úteis para o teste de hipótese;
  • (ii) Com quem coletar? O pesquisador deve recortar o campo das análises empíricas considerando um espaço geográfico e social, assim como uma janela temporal. Feito isso, o pesquisador pode optar por estudar a população através da análise qualitativa ou quantitativa. Para mais detalhes sobre essas análises, veja os artigos Pesquisa qualitativa e quantitativa: qual usar no seu TCC? e Diferenças entre pesquisa qualitativa e quantitativa;
  • (iii) Como coletar? Faz-se um instrumento de coleta de dados como questionários, roteiro de entrevistas ou observações. Esse instrumento é testado antes da utilização, com o objetivo de identificar problemas na coleta.

A coleta de dados não serve apenas para coletar informações. As informações ajudarão de alguma maneira o pesquisador em etapas futuras, como o teste de hipótese. Desta forma, é importante, ainda na criação do instrumento, preocupar-se com o tipo de informação que ele irá fornecer e como será feita a análise dessas informações.

Etapa 6: A Análise das Informações

Nessa etapa as informações coletadas e os resultados são observados para entender se correspondem aos resultados esperados pelas hipóteses ou questões de pesquisa. Normalmente a coleta de dados traz novos elementos ou outras relações não cogitadas inicialmente. Nesse contexto, os fatos não cogitados são interpretados e revistos para entender se é necessário refinar as hipóteses e, assim, propor e mostrar reflexões para pesquisas futuras.

No cenário em que o pesquisador opta pela análise de dados quantitativos ele deve executar três passos:

  1. Descrever os dados e apresentá-los (agregados ou não) sob a forma das variáveis requeridas pelas hipóteses.
  2. Mensurar as relações entre as variáveis, observando como essa relação foi prevista pelas hipóteses.
  3. Comparar relações observadas com as relações teoricamente esperadas pelas hipóteses e verificar o distanciamento entre elas.
    • Se o distanciamento é nulo ou muito pequeno podemos concluir que a hipótese está confirmada;
    • Caso contrário, verificar de onde vem o distanciamento e tirar as devidas conclusões.

Etapa 7: As Conclusões

De acordo com Quivy & Campenhoudt (1995, p. 247-53) podemos dividir essa etapa em três partes:

  • Apresentar as questões de pesquisa e as hipóteses. Apresentar como foi feita a coleta de dados e o método utilizado. Comparar e comentar os resultados esperados pela hipótese com os resultados obtidos.
  • Mostrar o que o estudo descobriu sobre o objeto de estudo e o que pode ser descoberto a partir dos seus resultados.
  • Mostrar o que você descobriu sobre a problemática, como fez o teste de hipótese e como fez e analisou os dados.
  • Se possível mostrar como o seu trabalho tem relação com a prática, em caso de estudos mais técnicos. Vale ressaltar que nem sempre é possível fazer essa relação entre pesquisa e ação.

Dica: quanto mais o pesquisador se distanciar das ideais preconcebidas do conhecimento e se preocupar com a problemática do estudo, mais chance terá de encontrar resultados relevantes.

Referências

Métodos de Pesquisa. Tatiana Engel Gerhardt, Denise Tolfo Silveira. Série educação a distância.
QUIVY, R.; CAMPENHOUDT, L. V. Manuel de recherche en sciences sociales. Paris: Dunod,
1995.

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